quinta-feira, 19 de abril de 2012

You Found Me

    E sentia aquela dor. Todo dia acordava e pensava "hoje será diferente, hoje vou finalmente esquecer", mas todo dia dormia com a mesma sensação de estar incompleta. Via as pessoas ao seu redor felizes, sorridentes, e não entendia qual era o problema. Será que era diferente dos demais? Será que havia algo errado com ela?
    Mas para esquecer, era primeiro preciso querer esquecer. E não queria. Não pensava ser possível largar a sensação de felicidade que já havia sentido uma vez.  O que faria com todas as conversas, as lembranças? Teria que esquecer que ele já existiu, e isso doía bem mais do que ela julgava necessário.
    Se ele era tudo que ela julgava preciso para continuar vivendo, ela não desistiria, amá-lo-ia até consegui-lo. Mal sabia ela que sua luta duraria mais e magoaria muito mais do que jamais poderia imaginar. Mal sabia ela que com o tempo o apego aumentaria. Não só o dela por ele, mas o dele pela outra também.
    Até que chegou ao ponto de exaustão. Não aguentava mais a solidão e as memórias que a perseguiam. Não era possível continuar vivendo assim. Tudo que queria era poder sumir ou simplesmente voltar no tempo, tentar conquistá-lo enquanto ainda havia tempo. Será que ele um dia a havia amado? Será que a espera valeria a pena? Ele era tudo no qual ela conseguia pensar, era o seu tudo. O tudo que estava tão longe de estar completo.
     Quem sabe isso tudo não era um grande pesadelo? Talvez uma hora acordaria e veria que nada daquilo havia acontecido, que estava inteira novamente. Mas por enquanto a dor era bem real.

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