domingo, 8 de abril de 2012

For Whom The Bell Tolls


 Se pudesse escolher, escolheria esquecer. Porque lembrar magoava, lembrar feria. Junto às boas lembranças vinham as más, e essas sufocavam qualquer pensamento agradável que pudesse ter.
           As boas lembranças, o que posso falar delas? Eram elas que tornavam seus dias mais amenos. Lembrar das risadas, das confusões, das amizades. Mas eram elas também que a lembravam de um passado inalcançável, inigualável... Que a trouxe ao seu presente sombrio. O que houve no meio do caminho? Onde foi que ela se perdeu?
           Porque essa era a verdade: se sentia perdida. Com o passar do tempo não perdeu apenas amizades, mas também suas metas, seus objetivos e seu sono. Não conseguiria nem contar quantas foram as noites mal dormidas, deitada na sua cama, inquieta, com milhares de pensamentos assombrando-a.
          Agora vivia para os outros. Para que os sonhos deles se realizassem, para que soubessem que ela estaria ali quando precisassem. Porque amava todos eles, e vê-los mal a deixava ainda mais triste. O que não percebeu é que passou a amar os outros e esqueceu de amar a si mesma.
          E talvez esse tenha sido seu maior erro: apegar-se, deixar os outros entrarem. Ao se tornar vulnerável, suscetível ao amor, tornou-se outra pessoa. Valorizou mais o que os outros queriam do que o que ela precisava. Não queria magoá-los de modo algum, mesmo que a magoassem constantemente. Vivia dando desculpas para as atitudes erradas deles, mas nunca perdoava as suas próprias. E ao basear sua felicidade nos outros perdeu sua essência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário